Após séculos no chamado oscio criativo, voltei a escrever. Espero que gostem...
Hoje estou leve. De uma leveza que chega a incomodar. É uma leveza pesada... Como se algo, no mundo, lá fora, pudesse estar pesando e consequentemente me incomodando. Não quero ser incomodada. Quero continuar leve. Leve como a pétala da mais bela flor que mesmo ao cair, tem sua beleza. Entrega-se como em um balé mágico e divino.
O que essa pétala encontrará ao cair? Uma terra úmida e receptiva? E se o vento a levar para o asfalto duro e cinza?Definitivamente, o vento não pode interferir na beleza da pétala. Será?
A pétala pode ser menos bela ao cair no asfalto? Não. Ela continuará a ser bela, mas deixará de ser produtiva. Produtividade... Uma pétala deve ser produtiva? Mas a função dela é somente deixar o mundo mais belo... Deixando o mundo mais belo ela terá cumprido o seu papel com louvor! Mas e o balé? O mundo não pode e nem deve perder a beleza de seu balé rumo ao desconhecido. Talvez ela tenha nascido somente para dançar. Na dança está a sua beleza. No balé está a sua produtividade!
Os carros passam apressados e certamente ninguém contempla a beleza-produtiva da pétala. Agora, preciso ir dormir. Mas antes fecharei a janela. Há uma corrente de ar frio a me incomodar.
Ana Karoline Crispim
26 de abril de 2010-04-26

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