
São 6h da manhã e acordo com um alarme que ressoa a seguinte frase: Feliz Aniversário, hoje você faz 30 anos! Eu mato o sujeito, o infeliz, que se atreveu a colocar esse tipo de som para o meu alarme e me fez lembrar que naquele dia eu adentrava a porta dos chamados balzaquianos.
Levantei-me, e como de costume, me arrumei e fui tomar o meu café. Em cima da mesa da sala, flores e bombons, presente de outro espírito de porco, será que ele não sabe que nesta idade temos que reduzir os carboidratos e glicose, já não perdemos gordura adiposa como aos 15 anos.
É, pelo jeito, o meu dia começou bem: encarar os 30 anos.
No elevador, olho no espelho e começo a refletir sobre minha vida, incrível como naqueles segundos, do 9º andar até a garagem, tanta coisa se passou por minha cabeça. Minha primeira bicicleta, minha primeira queda, as viagens com minha família, meus amigos, inimigos, amigas esquecidas. Meu primeiro beijo, desse me recordo muito bem, que momento engraçado: no cinema com um desconhecido. Minhas primeiras festas, como me divertia com minhas amigas. Minha primeira transa, outro momento engraçado: em meio a cascalhos na quadra que estava sendo reformada na escola. Amores bem vividos, amores mal vividos, momentos de loucura, meu primeiro cigarro, meu primeiro porre. Quanta coisa, meu Deus, eu vivi. E nesses segundos me deu uma vontade de relatar tudo isso, colocar em palavras o que achava sobre mim, aquela mulher que nesse dia fazia 30 anos.
Entrei no carro, fui ao trabalho. Festinha no trabalho. Almoço com as amigas. No fim do dia a ligação daquele namorado que você teve uma história mal resolvida, outra ligação dos familiares. E enfim, a ligação do amor do momento, aquele que tem me ajudado a escrever minha história hoje. Combinamos um jantar.
E, aliás, ele era o infeliz e espírito de porco que colocou o alarme no meu celular e me deu bombons para aumentar minhas camadas adiposas.
Tentei ficar linda e exuberante naquele tubinho preto dos meus 25 anos. Descobri que minhas coxas e meus quadris haviam aumentado de tamanho consideravelmente. Escolhi uma lingerie que acentuasse os meus seios, e, que, propositalmente, desviasse os olhos dele das gordurinhas localizadas e das celulites. Nesse momento, achei que estava neurótica, mas enfim, aos 30 ficamos mesmo, reconheci-me balzaquiana.
O celular toca, é ele. Estou atrasada para o jantar.
No elevador, começo outro momento de reflexão: porque ele não me pede em casamento? Já tenho 30 anos, preciso casar. Sempre achei que me casaria aos 25 anos, depois de formada, mas se passou cinco anos e nada. Tantos namorados, tantos amores e nenhum se sentiu impulsionado a se casar comigo. E para falar a verdade, acho que nem esse sente essa vontade de levar uma vida a dois comigo. Naquele momento quase entro numa crise de choro no elevador, me senti rejeitada, mal amada.
Mas, vi-me com outros olhos, me senti gostosa e segui a vida.
No restaurante, após um jantar maravilhoso, e ter escolhido o vinho mais caro, o meu amor me mostra uma caixinha. Fiquei espantada, o que será que havia ali? Seria como a caixa de pandora: continha os males e os bens do mundo?As alegrias e tristezas? Talvez. Ele tirou uma aliança de dentro da caixinha. Caí
Final feliz, não sei se ele existe, porque o fim nunca é bom, sendo feliz ou triste. Por isso prefiro dizer: um bom começo para uma balzaquiana, e feliz 30 anos para mim.
Autora: Daniele Silva Costa, Girassol

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